“Alguém, um dia, acreditou que eu poderia ser uma pessoa melhor”

Conheça o relato de quem cresceu sem o amparo da família, venceu as barreiras e hoje é mãe, esposa e amiga. Surei é cheia de alegria, fé e esperança e dona de uma bonita história de persistência

“Aos quinze dias de vida, fui levada ao Instituto de Assistência ao Menor, de Curitiba”. Este é o começo da história de vida de Surei da Silva Assad Gonçalves, psicopedagoga facilitadora dos cursos profissionalizantes da Rede Esperança. Como você pôde perceber, a falta de uma família nos primeiros anos de vida não fez dela uma pessoa sem futuro. Com fé e apoiada no amor das pessoas que fizeram parte de seu caminho, Surei uniu forças e construiu uma bela história. Hoje ela conta esta história para mostrar que uma vida feliz pode ser construída, sim, em meio às lágrimas.

Surei não sabe ao certo porque seus pais a deixaram. O que ela sabe é que sentiu muita falta deles. E o que ela aprendeu com isso é que, com fé, é possível superar dores emocionais. “No Dia das Mães e dos Pais eu chorava muito, até que um dia, uma irmã me mostrou Maria. Ela disse: essa é sua mãe. Desde então, me apeguei muito a Nossa Senhora e a Jesus, que me deram forças, além das pessoas boas que encontrei pelo caminho e que sempre me apoiaram”, conta.

Quando completou nove anos, Surei foi transferida, por bom comportamento, para um Lar de Meninas, em Jacarezinho, no norte do Paraná. Lá permaneceu cerca de cinco anos. Aos quatorze anos, voltou para Curitiba e foi morar na Associação Promocional da Adolescente, quando conheceu a irmã Diva Barrichello. Continuou os estudos e logo conheceu uma pessoa com quem dividiria a sua vida: Edimario Gonçalves, com quem se casou, cinco anos depois.

Aos dezoito anos já tinha um emprego e conseguia morar sozinha. Foi quando se mudou para uma casa em frente à irmã Diva. Nesta época Surei trabalhava e estudava. Aos vinte anos, Surei casou-se. Foi então que percebeu que tinha dentro de si o enorme desejo de ajudar o próximo. Fez faculdade de Pedagogia e especializou-se em Psicopedagogia. “Foi a maneira que encontrei para ajudar as pessoas. Acredito na transformação delas. Alguém, um dia, acreditou que eu poderia ser uma pessoa melhor”, ressalta.

Durante toda a sua vida, Surei trabalhou na área administrativa de uma empresa de telefonia, na Secretaria Estadual do Trabalho e em escolas profissionalizantes, assim como o faz hoje, na Rede Esperança. “A profissionalização é o que garante o pão de cada dia. Com os adolescentes, procuro sempre contar parábolas de Santo Agostinho. Eles precisam de boa orientação. Tenho uma missão para cumprir aqui: ajudar as pessoas a se encontrarem”, comenta.

“Jesus sempre aceitou a todos, sem nunca excluir ninguém. Precisamos aceitar as pessoas como são. Só consegui chegar aqui porque tive muita fé e força de vontade. Um pé empurra o outro e você tem que ir para frente”, destaca Surei, que hoje é mãe de dois filhos, já crescidos, e tem uma família feliz. Seus filhos André Luiz e Daniele reforçam sua esperança e seu amor pela humanidade.

Na Rede Esperança, admira o trabalho realizado pelas famílias italianas, que adotam crianças brasileiras. “Vejo que estas crianças são tratadas com muito amor”, comenta.
A grande lição que Surei aprendeu e ensina é a seguinte: “Todas as pessoas têm problemas. É preciso absorver o que é bom e do que é ruim deve-se tirar uma lição de vida”.


Surei: “Todas as pessoas têm problemas. É preciso absorver o que é bom e do que é ruim deve-se tirar uma lição de vida”.

Foto: Criselli Montipó